terça-feira, 23 de fevereiro de 2016



Há seis anos dorme, nas gavetas da Câmara Federal, um projeto que acalenta o sono da marginália - É o projeto Minha Casa, Minha Vida para assassinos, estupradores e toda sorte de bandidos. Nem precisa dizer que o projeto é do PT. Todo mundo vê. É o Estatuto Penitenciário Nacional do deputado Domingos Dutra. O deputado caprichou tanto que mais parecia estar fazendo uma casa para si próprio. Nada dessa da mesquinharia que se ve nas casas feitas para o Zé Povinho e financiada em trocentas prestações. Que que é isso? Domingos Dutra fez um negócio muito melhor. Muitíssimo melhor. Além disso a casa é dada de graça. Vale o pleonasmo. Enquanto estiver sendo penalizado o preso terá direito a creme hidratante, xampu, condicionador, desodorante, barbeador, creme dental, salão de beleza para as presas e equipamentos para atividade física. Receberá uniformes, agasalhos ou casacos, seis cuecas e em igual número para mulheres. Mais tres pares de meia, um sapato, um tênis, um par de chinelos ou sandálias.  Para cada grupo de 400 presos estarão disponíveis, obrigatoriamente, cinco médicos, sendo um psiquiatra, 1 oftalmologista, seis técnicos de higiene mental e nutricionistas. O preso, entretanto, que não concordar com os profissionais oferecidos poderá contratar médico da sua confiança. O grande problema é que cumprida a pena, o  indivíduo deixará a casa e aquela boa vida e terá que ir trabalhar, tomar ônibus, pagar conta de luz, água, enfrentar fila de supermercado... A menos que num insight ele volte a matar, assaltar e estuprar novamente. E, quem sabe, para um sossego mais longo, cometa tudo isto de uma vez. Eu podia prosseguir, mas a prudencia me recomenda parar aqui. Sei lá se como anda a crise possa eu incentivar algum cabeça fraca a dar um teco na cabeça de outro alguém por aí.
NOTA: Este blog está sendo atualizado às terças feiras

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

UM RECADO PARA VEREADORA AMÉRICA THEREZA


A batata dos vereadores está assando. É geral.  Vou correndo avisar à Vereadora América Thereza. A batata dela já está dorê. São quase trinta anos de mandato! Ela é um dos dinossauros do  Legislativo Municipal. Como um bom vizinho vou avisar pra ela que está vindo aí uma chuva de meteoros. E meteoro é a kriptonita dos dinossauros.  Alguns municípios passaram por isto e agora estão vivendo uma espécie de era cenozóica. Aleluia!!!  É até comum encontrarem em suas ruas vereadores trabalhando para valer e com salários muito menores. Não se sabe onde começou essa queda de meteoros. O de Mauá, Estado do Paraná, foi o primeiro a ganhar notoriedade. O pároco da cidade, Padre Porto de Jesus, foi quem acendeu a estopim. Bastou ele  falar que o vereador estava ganhando demais da conta e que o salário deles devia ser menos de R$ 1 mil. Foi de encomenda. O povo falou – “amém”. Os vereadores pensaram que  o Padre Porto de Jesus fosse assim feito o inconfundível inesquecível Zezinho da Ética e resolveram encará-lo. Tolinhos. Resolveram  expulsá-lo da  cidade. Mas nem chegaram a falar com o bispo, já tinham mudado de ideia. Voltaram atrás mas a merda já estava feita. Aí, eles mesmos, com as mãozinhas deles mesmos reduziram os próprios salários de R$ 3 mil para R$ 820. Que civismo! Houve até discursos pró redução. Essa gente é assim mesmo não podendo contrariar, comemoram. A coisa não prestou. Alastrou pros quatro cantos. Só no Paraná são 28 municípios que marcham pra uma nova era. Os curitibanos vão passar o salário dos vereadores  de R$ 15mil para 1,5mil. Em São Paulo, o bicho pegou também. Em Avaré, Ourinhos e Botucatu, só se fala nisto. Os vereadores  de Cambira e Ribeirão dos Pinhais se reuniram e reduziram os seus salários espontaneamente. Não ficaram esperando pela Providência Divina porque Deus às vezes tem a mão muito pesada. Em Belo Horizonte, um deputado estadual, Noraldino Junior abriu mão do auxilio moradia - R$ 4 300, e alugou uma casa onde mora com seus auxiliares como numa república. E não há rachid. E, na cidade de Oliveira, a população tomou a Câmara e fez o serviço. Enfim, tem muita gente se previnindo e  morro de dó vendo a América Thereza pisando nos astros distraída. Vou avisar pra ela se antecipar. E, depois, cinco mandatos seguidos já deu pra fazer uma dúzia de pezinhos de meia. Eu é que não vou esperar pelo nosso Zezinho da Ética, não. Foge muito da área dele porque o pessoal está reduzindo também os salários do prefeito, vice-prefeito e secretários. É barba, cabelo e bigode. Se é que me entendem. 
NOTA: Agora, o blog será atualizado toda terça feira

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sua bênção, Maluf, para este menino perdido



A quem serve Chico Alencar? A quem servem Paim e o “ingênuo” Suplicy, esses nossos amigos bissextos? Uma hora estão aqui; outra hora estão lá. Pessoas assim me assustam mais do que aquelas que estão permanentemente, lá. Muito mais. Deus que me guarde!
Chico Alencar a gente não sabe quem ele é. Nem onde ele está. Até 2005, andava muito bem acomodado no PT. Ele se sentia em casa, embora o PT já estivesse lavando muita roupa suja na porta da rua. Eram irrespondíveis as denúncias feitas pelo economista Paulo de Tarso Venceslau. Tudo verdadeiro. Verdadeiríssimo! Repugnante. Mas o Chico Alencar tinha estômago forte. Estômago de avestruz. Assim, continuou orgulhosamente com a estrelinha no peito, mostrando-se parte da irmandade.
Aí, veio  2005. Era dose para elefante: Mensalão,  exoneração de cinco ministros... Virgem! Lula, com os olhos fugidos das lentes e voltados para o céu, até pediu perdão, via Embratel. Era 12 de agosto de 2005: https://www.youtube.com/watch?v=Qj-w3i9_hpQ Que vergonha! E o Chico Alencar deu linha... foi procurar outras plagas antes que o teto da casa paterna se desabasse sobre sua cabeça.
Acertou na mudança para o PSOL. Eleitoralmente, foi um acerto, sim. Tanto que na última eleição ele atingiu a metade dos votos de Bolsonaro. Mas o diabo é que o PT não caía. E até fazia o sucessor. Por dúvida dessa via ele vem mantendo um pé em cada canoa, que seguro morreu de velho.
Agora, porém, o PT está na UTI. O governo Lula Rousseff não é respeitado nem pelos seus ministros. Tava bem na hora de o deputado agir.  E ele foi além da dessa modesta oposição que está aí; foi à detratação. Em entrevista ao jornal Em Tempo, publicado aqui na Tribuna da Imprensa ele considerou o governo de Dilma deplorável:  “Eu nunca vi um governo eleito tão envelhecido, desgastado, desnorteado, sem sustentação parlamentar, chantageado e que não consegue impor sua pauta e que gera muito desencanto mesmo para seus eleitores”. Disse até que ele próprio fora traído, sofrera estelionato eleitoral, votando na Dilma – Estelionato... Um homem que está há quarenta anos na política. Pois é. Lembrou-me a patética figura do Lula se desculpando na  Tv naquele ido dia 12 de agosto de 2005. Devia trocar de espelho. Devia pedir bênção ao  Maluf, que é corrupto, sempre corrupto. Maluf que não muda jamais. Seria muito melhor. Quem vota no Maluf sabe para onde ele vai.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Fichas Limpas X Fichas Sujas




Deley não foi cassado por corrupção; ele foi cassado por burrice.  Hoje, poucas semanas depois, olha ele aí, de novo, pedindo votos na rua.  Tá certo. Aliás, bem postas as coisas, o Deley até que deixou no barato. Um bom advogado lhe restituiria os dias do mandato perdidos com esta arbitrariedade. Aos burros nada se deve imputar, diz o Evangelho. Há 20 séculos, Cristo padecente lá na cruz ainda encontrou forças para pedir pelos ignorantes: “Pai, perdoai-lhes que eles não sabem o que fazem”. Deley se enquadra como uma luva nessa bem aventurança. Todo mundo sabe que ele foi cassado como burro e não como corrupto. E isto faz toda a diferença. E como o faz! Eu, sinceramente, se fosse ele teria apelado para os sentimentos cristãos dos juízes. Mas, coitado, ele não se lembrou nada disto. Entregou as chaves das gavetas, do gabinete e voltou humildemente para casa. Também ta escrito que os humildes serão exaltados. Quem sabe? Ele vem cheio de gás. Já com o Prefeito Neto o buraco é mais embaixo. Neto ta cassado e não é por burrice, não. Dizem até que foi esperteza demais. Parece. O próprio tribunal lhe concedeu uma liminar que lhe tem servido de canudo para continuar respirando. Neto é tinhoso. Não entregou as chaves das gavetas, da porta e muito menos a do cofre. Acho que é isto que ele chama de é qualidade de vida. O Zoinho, coitado, tinha esperança de substituí-lo. Por três vezes mandou lavar o terno da posse. Agora, ele próprio tem o baraço no pescoço. A Lei da Ficha Limpa é assim mesmo. Trabalha no varejo. De vez em quando pega um para Cristo. Em Volta Redonda, é difícil um que não esteja na fila. Gotardo, Baltazar, Loureiro, Paiva estão. Até a Inês Pandeló, que comunga todos os domingos, tinha um pecadilho escondido do padre - ela tomava dinheiro dos assessores, dizem. Coisa muito feia.  Ela não conseguiu se explicar e até entregou os pontos, no primeiro tempo. Não disputa mais a reeleição. Preferiu agarrar-se à candidatura de Lindberg, que não vinga. Mas o homem é senador e sempre sobra sempre um qualquer. A América Tereza, vereadora, declarou ao tribunal que vai gastar R$ 9 milhões. Enfim, tá todo mundo ganhando. Só não estamos ganhando nós os fichas limpas. 


CARTAS


“Quanta besteira! Percebe-se que nunca leu Gramsci na vida. Ou leu através de Olavo Carvalho” (Adelson Vidal)


Transcrevo o comentário de Adelson Vidal, inclusive os erros de sintaxe.  Se ele lesse Olavo de Carvalho pelo menos aprenderia escrever. Fica aí perdendo tempo com Emir Sader que escreve Getúlio com LH, Getulho, e com o intelectual Fernando Haddad que escreve cabeçalho com RIO (cabeçário). No Brasil, é assim mesmo: Há um profundo desrespeito ao conhecimento. Veja um dos elogios do Adelson Vidal ao autor Rubem Alves: "Ficou fascinado ao conhecer a Escola da Ponte em Portugal, uma escola que não há a divisão de classes e turmas que conhecemos, não existe professores, nem os programas de conteúdos". Este texto é do Adelson Vidal, em que respeito, insisto, os solecismos. Ora, este discípulo de Gramsci, não percebe que uma escola onde não há mestre, nem conteúdos não é nem pode ser uma escola. Mas está perdoado. Sei que ele não faz isto por maldade; é por burrice mesmo. (Elson Sepulveda)


domingo, 6 de julho de 2014

VEJA, ILUSTRE CAVALHEIRO, O BELO TIPO FACEIRO AO SEU LADO


Ilustração Blog Mudança e Divergência
Maluf, definitivamente, veio para explicar e não para confundir. Tá tudo junto e misturado. Quando ele falou que também é de esquerda,  minha vizinha teve um estalo – “Ah, então é isso???” Ela é eleitora da esquerda. Há meio século vota na Dodora. Mas, agora, eu não sei, não; ela anda muito agradecida ao ex-governador de São Paulo. Foi ele quem lhe tirou a venda dos olhos. Deus, guarde o Maluf! Enfim, ta todo mundo sabendo que esse negócio de esquerda é uma baita de uma corrente que pega gente. Uma corrente que vai desde Fernando Henrique Cardoso, o mais culto dos nossos ex-presidentes, até o Lula na outra ponta. Antonio Gramsci foi quem os fez irmãos. Karl Marx tinha na guerra uma via expressa para o comunismo. Gramsci, ao contrário, achava um desperdício perder tanta mão de obra assim. Não! Precisava mantê-la viva e trabalhando. Bastava emburrecê-la. E, depois, era só fazê-los carregar as pedras. Este projeto seria implantado com dois tipos de agentes – o intelectual orgânico e o idiota útil. O primeiro grupo, através de jornais, revistas, rádio, TV – enfiaria minhocas na cabeça do segundo. Ao fim e ao cabo,  famílias,  igrejas, escolas, sindicatos e  partidos políticos virava uma coisa só. Só ouviriam a voz do dono. E, talvez, fizessem uma burocrático pedido de desculpa aquelas montanhas e montanhas de cadáveres que deixaram no seu rastro: “Estamos construindo um mundo novo. Desculpe a nossa falha.” E assim se faria uma sociedade incapaz de se julgar a si mesma. Não haveria mais culpados ou inocentes. Ou será que o distintíssimo leitor ainda vê alguma diferença entre o PSOL e o DEM? Atentai para os exemplos: O Sr. Evaldo Pontes da Silva foi exemplar. Amigo e vizinho do ex-bispo Waldir Calheiros quis louvá-lo mais uma vez aos pés da sua estátua, recém inaugurada: o bispo “tinha a coragem e a garra do Lampião”. Ora, Lampião era um bandido. Estaria o Sr. Evaldo fazendo confusão, colocando os dois num mesmo saco? Não! Nada disto. É que o Evaldo é um homem absolutamente inserido no seu tempo. Perdeu o senso. Lorenzo Aidé lança um pouco de luz sobre o facínora: "Um homem armado invade uma casa  em busca de comida. A dona, humilde viúva da zona rural, não tem o que oferecer. Tomado por um ataque de fúria, o invasor dá uma surra na mulher e depois se volta para o jovem filho da viúva, que presencia tudo. Põe então em prática seu gosto por rituais de sadismo gratuito: enfia o órgão genital do menino numa gaveta e a tranca com chave. Depois, ateia fogo à casa. Desesperado, o rapaz é obrigado a cortar o próprio pênis para salvar a vida. O facínora responsável por esse crime hediondo é hoje um mito nacional: Virgulino Ferreira, vulgo Lampião" Revista de História da Biblioteca Nacional). Basta? Tem muito mais: A antropóloga Luitgarde Cavalcanti (A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão (2000)) diz que Lampião permaneceu 22 anos no crime só porque servia  à classe dominante. O êxodo provocado por suas crueldades refez o latifúndio no sertão nordestino. Somente após 1960, com a ascenção da esquerda no Brasil, a literatura de cordel muda o destino da sua alma, mandando-a para o céu. Antes, ele era tido como uma pessoa muito má e invariavelmente, mandado para o inferno. Pois é, o Sr. Evaldo é um gramsciniano sem o saber. 



“AGORA É NÓIS”
Capítulo 4

Ilustração revista Veja

“Vinde a mim, vós que tendes fome?” Foi, mais ou menos, isto que se ouviu da boca do Presidente Lula no dia da posse. Também, não era pra menos. Havia muito tempo que a igreja vinha catequizando militantes como quem arrebanha devotos. Santos e políticos se confundiam. Muita gente boa acreditava fielmente que Lula ia fazer a multiplicação dos pães. E ele reforçava a impressão: “País que conta com tantas terras férteis e com tanta gente que quer trabalhar não deveria haver razão para falar em fome”. Nascia o Fome Zero. Envolveu  todo seu ministério. Em breve, iriam todos lançar o projeto lá em Guariba, no Piauí. O mais baixo IDH do Brasil.

Que viessem todos os que tinham fome. O convite estava feito, mas não se sabia quantos eram os convidados. Para Lula, entretanto, isto pouco importava. Lula é Lula e Frei Beto é seu profeta. Lula mesmo estimou esse número em 44 milhões de boca – número maior do que a população do RJ, MG e Espírito Santo juntos. Nas contas da OMS eram 7 milhões. Criaram, então, um cadastro central que seria abastecido pelas secretarias estaduais de assistência social. Funcionários das prefeituras saíram enfim buscando e contando os famintos de cada município.

Em panela que muitos mexem não fica bom o refogado. Não deu outra. Até dezembro estavam contados e documentados 5,5 milhões de famintos, mais 5 400 sem nem ao menos o registro de nascimento. Esperava-se um número maior para este segundo grupo. Nem os próprios operadores da contagem o acatava. Frei Beto ficou de boca aberta. Mas logo se recuperaram porque os dados no Brasil não são mesmo confiáveis. No censo de 2001, o IBGE revelava que 22,8% dos mortos ainda figuravam como vivos, nos nossos registros.

Na concepção petista, é preciso que um perca para que o outro possa ganhar. Quem teria que morrer para o Fome Zero nascer? Resolveram matar a comopra de 36 F16. Era um projeto autorizado desde 2001. Coisa do governo passado, Fernando Henrique Cardoso. A FAB ficaria sem os seus caça. Muita gente aplaudiu: Avião não enche barriga! Nem se davam conta que era uma compra diferente. Comprar jatos não é como comprar feijão. Não é só botar um saco no carrinho e pagar no caixa. Uma encomenda dessas leva 4 anos para ser atendida e só é paga contra entrega da mercadoria. E não pára aí. Havia, enfim, mil argumentos para o Ministro da Defesa defender a sua FAB, mas ele só pensava naquilo. Depois, Lula não parecia estar de brincadeira. Ele próprio abrira mão do passeio à guariba com os seus 29 ministros mais os costumeiros papagaios de piratas. Era preciso economizar para o Fome Zero. E até apelou para a ajuda do povo. Sem o povo não se vai a lugar nenhum.
Era o terceiro apelo ao povo, na nossa história recente. Em 1932, Revolução Constitucionalista, pediram para o “Dê ouro para o bem de são Paulo”. A guerra acabou e construíram um prédio com o dinheiro arrecadado. Em 1964 foi a campanha “Dê ouro para o bem do Brasil.” Casais, cheios de ardor patriótico,  trocavam suas alianças de ouro por outras de latão, acompanhadas de um diploma de colaborador. Levantaram 400 kg de ouro de que nunca se soube em que foram usados. Do Fome Zero se soube menos ainda.
A Mercedez Benzz deu um caminhão para o transporte de alimentos. A Organização das Cooperativas Brasileiras doou 24 mil toneladas de alimentos. Gisele Budchen entregou a José Graziano, ministro de combate à fome,  o seu cachê por um desfile. O cheque era para o Fome Zero. O ministro o sabia. Entretanto, só o depositou 40 dias depois... A campanha ia de vento em popa.

Eram de fato bons os ventos. Dinheiro já não faltava. O Caso AGF ilustra bem o caso. Desde 1991 essa empresa lutava contra o pagamento de uma dívida de R$ 46,4 milhões. Esgotados todos os recursos judiciais, já não tendo mais como apelar recebeu o perdão do próprio credor, que anulou sua dívida. Não quis receber nenhum centavo. O governo federal era o  autor da ação. 

domingo, 22 de junho de 2014

AGORA, SÓ DAQUI A SEIS MESES




Deu no jornal Tempo que, em Santa Maria (RS), há uma lei que proíbe latidos de cachorros após às 22horas. Eu acredito. Tenho visto muitas coisas neste mundo. Na nossa Câmara Municipal quiseram inventar uma tal de Tribuna Livre. Lá, o mais comum dos mortais poderia usar da palavra. Parece que opunham restrição ao uso do palavrão. No mais, a palavra era livre. A Câmara Municipal anunciaria previamente o orador da noite: Hoje, com a palavra, Zé das Couve. Imagina as mudanças na vida do povo após esse discurso. Nenhuma! Vejo o povo falar nos ônibus, nas filas do banco, nos supermercados e nada. Foi muito bom, portanto, os vereadores  Tigrão, Simar, Francisco Novaes, Francisco Chaves, José Augusto, Neném, Pedro Magalhães, Maurício Batista, Adão Henrique, América Tereza e Dinho votarem contra o projeto. O nosso legislador de controle de qualidade. O negócio não é apenas produção. Segundo o Tribunal Federal de 2000 a 2010 foram criadas 75 517 leis no país. Uma média de 20 novas leis por dia. Com Sol ou com chuva; com jogo do Brasil ou sem jogo do Brasil, a cada dia 20 outras novas leis. Está ficando difícil. Já existe dia dos médicos até o dia do pedreiro meia-colher. É, portanto, muito natural que vereadores, de vez em quando, dêem um pulo no lixão da câmara à cata de alguma mangonga. Tal se deu com o Vereador Jari que achou essa Tribuna Popular. Aparentemente é uma bobagem. E, aqui, as aparências não enganam. É mesmo uma bobagem! Talvez nem o próprio Jari tenha a mais pálida vontade de aprová-la. Só assim poderá voltar com ela a cada seis meses e, assim, vir vivendo. O Paiva foi esperto. Passou todos os seus mandatos botando e rebotando esse projeto em pauta. Uma vez me encontrei com Ítalo Granato, pedindo votos para o Paiva. No centro de uma rodinha de eleitores ele explicava que votava no Ratinho porque ele defendia a criação da Tribuna Livre. Ele chama o Paiva de Ratinho. O Ítalo sabe muita coisa que eu não sei. O que sei mesmo, com toda a certeza, é que esse projeto tem ajudado muita gente boa. No tempo do Sarkis já era uma idéia velha. Mas, naquele tempo, até fazia sentido. Éramos todos mais ingênuos. Havia três vereadores muito moleques – Luís Carlos Sarkis, Julio Ferreira e Vander Lucas. Todos imberbes. O Vander Lucas, na verdade, tinha uns bigodes a La Nietzche. Mas, espiritualmente, era um glabro mancebo.    Vander Lucas se tornou dono de uma funerária; Luis Carlos Sarkis chegou a Presidente da Casa. Está lá na parede o retrato dele. Rechonchudinho. Precisa de ver.  Julinho Ferreira perdeu a eleição pra prefeito e foi morar nos Estados Unidos. Também, apenas a Maria de Lourdes Lampert acreditava na candidatura dele; ela era sua vice. Naquele ambiente de sadia molecagem, Aristides Martins quis colocar fraldas nos cavalos e alguém falou na tribuna do povo. Zezinho da Ética correu e entrou na fila da inscrição, onde está há trinta anos. Zezinho é eterno. Ele é assim como uma Dodora com certificado de reservista. 


AGORA É NÓIS!

Capitulo II



Na campanha e na posse de Lula, a palavra que mais se falou foi “mudança”. Luciano, da dupla com Zezé de Camargo, era quase um coqueiro naquela paisagem. Falou do seu “Orgulho em participar do momento de mudança no país... quero contar essa história aos meus filhos e netos no futuro”. O cantor Gilberto Gil não deixou por menos. Esqueceu o seu jeitão de baiano e saiu em desabalada corrida do palco. Ia tomar posse também. Arranjara um bico no novo ministério – Ministro da Cultura. No seu discurso, usou palavras como “transculturativas”, “ouriçar planetariamente”... palavras que não querem dizer absolutamente nada. E, pior ainda. Embora só ele as empregasse já eram palavras muito usadas. Haviam até figurado em programas de humor. Chico Anísio muito se serviu delas no seu Chico Total, na TV. Nisto, Gilberto Gil não mudara.
Toda a turma estava Ciro Gomes, Ministro da Integração Social, prometia acabar com os transtornos das chuvas cíclicas; Cristóvão Buarque, Ministro da Educação, prometia acabar com o analfabetismo; Palocci, Ministro da Fazenda, prometia acabar com a pobreza; Lula, o presidente de todos nós, prometia acabar com a corrupção. Enfim, era barba, cabelo e bigode. Antes de mim, o caos. Tudo tem seu tempo e o de Ciro foi o mais curto. Duas semanas depois da sua promessa , novos desabamentos ocorreram em Minas Gerais. Foram vinte e seis mortos, setenta e quatro feridos, setecentos e setenta e quatro desabrigados e umas duas dezenas de desaparecidos o saldo da tragédia. Tres ministros foram prestar solidariedade aos mineiros. No meio deles, Ciro Gomes.
Na manhã seguinte, 500 garis cuidavam da limpeza na Esplanada. Um punhado de bandeirinhas do PT, faixas alusivas ao presidente, cartazes, santinhos tinha que ser removido. E, ainda, havia um jardim para ser replantado. Na frente da Granja do Torto ainda havia gente. O Presidente receberia visitas oficiais em casa. Hugo Chávez foi o primeiro a chegar. Reclamou da greve geral que enfrentava em seus país, pediu ajuda pra enfrentar a oposição e falou, também, da Petroamérica, uma integração das empresas de petróleo. O último visitante foi Fidel Castro que terminou cerrando a janta. Fidel estava como que na própria casa. Assistira a posse de Cristóvão Buarque ao lado de Maluf e ACM. Não consta que tenha se sentido incomodado. Lá fora, os talibãs do PT não toleravam aquela aproximação. Aguardavam na saída. Queriam aplaudir o cubano e hostilizar os brasileiros. É da vida.
Quinze dias depois, junto com aquelas chuvas que caíam em Belo Horizonte, um banho de água fria desabava sobre a massa trabalhadora. Jaques Wagner, Ministro do Trabalho, dizia à Folha de São Paulo da sua intenção de extinguir a multa de 40% nas demissões desmotivadas: "A forma melhor seria não ter esse ônus na demissão". A CUT chiou, a Força Sindical chiou. Foi um auê! Até o Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Francisco Fausto,  soltou os cachorros: “Ela é inegociável. O ministro terá de voltar atrás, porque disse uma bobagem". E ele voltou.

Antes que se recuperassem o fôlego, um novo rebuliço: Lula ia mexer na Previdência. Iniciariam as conversas em fevereiro e até junho o projeto estaria prontinho no congresso. O Presidente tinha pressa. Queria ver sua nova lei funcionando em 2004. Ano Novo, Vida Nova. Marco Aurélio de Mello, Presidente do Supremo Tribunal Federal, considerou aquilo uma brutalidade. Para ele, qualquer mudança que não respeite direitos adquiridos só pode ser feita por uma revolução contra o estado de direito estabelecido: "Não chego a dizer que são propostas demagógicas, mas você só pode fazer isso quando vira a mesa e há uma revolução do poder constituinte originário", declarou Mello, ao jornal O Estado de S. Paulo. Lula diz que vai debater com a sociedade. Mas, nos bastidores, ele sabe direitinho o que quer. Até se diz que todas categorias de servidores do país serão incluídas na reforma mesmo que eles tenham que abrir mão de benefícios. E ainda estávamos na primeira quinzena do seu mandato.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

NOTAS

           Ao estimado leitor,
            Pretendo, aos poucos, colocar este blog em dia. Aviso que nem o Lula, nem o Neto, nem o Zezinho da Ética tem nada a ver com esses atrasos. São contingências da vida que espero resolver aos poucos, como estou resolvendo. Aproveito para outras explicações. Um amigo. Eloy Marcondes, me sugeriu que fizesse um retrospecto do governo do PT. Achei interessante e devo fazê-lo em capítulos. Assim, se explica a segunda nota dessa postagem. Outros capítulos virão. A primeira nota é minha versão municipal do Lepo, Lepo. Nós também dançamos. Abraços

Neto, Neto

 
Ah... quase que prometeu chover
Tá todo enrolado
Com mandato cassado
Ah... Não tem pra onde correr
 
Tá sem deputado
Já lhe tomaram o cargo
Agora, é só mandar ele embora
 
Sai, sai, sai, sai, sai da cidade!
Sai o Prefeito e sai o vice
Mas sai de verdade!...
 
Ele não tem cargo
É só xaveco
Quem ficar com ele é só porque gosta
do seu
rá, rá, rá, rá, rá
Lepo, Lepo
É tão gostoso o colo do
rá, rá, rá, rá, rá
Neto, Neto
 

CAPÍTULO I

É NÓIS, AGORA!




O medo andava assustado naqueles dias. O Lula, Profeta de Garanhuns, bem avisara que a Esperança ia botar o medo para correr.  Xô Regina Duarte! Havia 13 anos que a Namoradinha do Brasil mostrara o seu pânico com aquela história do Lula Presidente do Brasil. Muita gente boa se solidarizou com o susto da moça. Ela era linda! Oito anos depois, veio a vez de Mário Amato, Presideente da FIESP – homem sisudo, vivido – mostrando medo também e que não estava sozinho. Disse que 800 mil empresários deixariam o Brasil, caso o PT ganhasse a eleição federal.  Mais outros quatro anos se passaram e a gente viu que cara feia, cara bonita adianta pouco e, às vezes não adianta nada. Luíz Inácio da Silva, se tornaria o nosso 39º presidente.
Muita coisa havia mudado. Muita mesmo! Agora tudo virou festa. Num palco Zezé de Camargo e Luciano, Fernanda Abreu, Zeca Pagodinho, Maria Betânia, Gilberto Gil, Bateria da Mangueira estavam afinadíssimos com o povo que cantava, gritava, dançava, pulava e aplaudia. E o delírio ainda mais cresceu quando o novo  presidente passou num Rolls Royce aberto, rumo ao parlatório. O automóvel ziguezagueava, no meio da multidão. A poucos metros dali, a faixa presidencial o aguardava e ele a vestiria sob o olhar emocionado de 120 mil pessoas. Uma platéia de Fla X Flu. Pra andar um pedacinho daquele levou o maior tempão. Às vezes, era parado pelas pessoas, e até pelo enguiço mecânico. E lá ia o carrinho. Getúlio Vargas o ganhara de presente da Rainha da Inglaterra em 1952. Estava fora de uso e teve que ser empurrado, no trajeto.
Aquilo mexia com o imaginário. Um homem trocando o piso sujo da fábrica pelo asséptico tapete do palácio era de uma simbologia vasta. Servia como bom exemplo para o capitalismo – o homem que se fez a si mesmo. O flagelado que chegou a presidente. Mas sob o olhar daquela gente na capital era um novo que nascia. Em cada olhar se via: “Agora, é nóis!” Tanta gente que sentara naquela cadeira – civis, militares, médicos, advogados, engenheiros... – e uma demanda popular foi só se acumulando. Agora, se ia ver uma coisa só.  Agora, seria uma enxurrada.
A Reforma Agrária era um desses exemplos. Na década de 1950 ela já aparecia em discursos políticos. Em 1962, Jango Goulart a encampou com tanta força que muita gente passou a pensar que a reforma agrária era uma invenção dele. Os comunistas já a haviam tentado e abandonado. Aqui, até o PSD, partido dos latifundiários,  a defendia e apresentara projeto para legalizá-la. E o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), a colher-de-pau que o governo americano metia no Brasil, a promovia nos seus simpósios.
Havia, entretanto, um muro separando aquela gente toda. Era o Artigo 141, parágrafo 16 da Constituição: "É garantido o direito de propriedade, salvo caso de necessidade ou utilidade pública no Brasil. Ou por interesse social mediante prévia e justa indenização em dinheiro". A indenização a dinheiro era que pegava. A esquerda pensava diferente. João Pinheiro Neto, presidente da SUPRA, apresentou um  projeto ao governo: "Desapropriação 20km de cada lado das rodovias federais, das rodovias e rios navegáveis"  . No dia 13 de agosto de 64, Jango o assinou, no comício da Central. Foi aprovado pelo Congresso. Até aí morreu o Neves. Mas outros presidentes continuaram a idéia. Castelo Branco, por exemplo, criou o INCRA e o Estatuto da Terra e encaminhado um projeto de reforma agrária.

Havia, também, demandas impopulares esperando a vez. Fernando Henrique Cardoso promovera algumas delas. As mais pesadas foram as privatizações, que viraram seu epítome. É só falar em privatização que se lembra de FHC. Mas esse negócio de privatizar começou mesmo com o Collor de Melo. E, ao contrário do que muita gente pensa, foi Itamar Franco quem privatizou a CSN. FHC apesar da sua empáfia não fez tudo. Durante oito anos lutou para suspender a idade mínima da aposentadoria. Não o conseguiu. Esta reforma estava também na fila.