domingo, 16 de junho de 2013

DELEY, PERFORMANCE PERFEITA





A primeira vez em que ouvi falar do Deley, me lembro como se fosse hoje: ele jogava no Fluminense Futebol Clube. Aí, veio o segundo o seu segundo grande passo, na carreira de jogador – entrou para o time do Neto. Agora, este último e talvez definitivo avanço, entrou para a Seleção Nacional da Turma do Funil. E, diga-se de passagem, batendo um bolão. Acho que os jornais locais não tocaram no assunto por inibição de mexer com um caso quase internacional. Mas se Escolinha da TV o descobre, estava glorificado. Nunca vi um João Canabrava tão perfeito. Eu, sinceramente, acho que uma coisa dessas, tão perfeita que estava,  não se aprende da  noite para o dia. É preciso muito treino. Muito tempo de ensaio. Perfeito. Perfeitíssimo! Ele foi a plenário, na Câmara Federal, como quem entra numa taberna. Ia discutir e votar a MP dos Portos. Não sei como é que pode. Na falta de um bafômetro, podiam dizer assim pra ele: “Faz um quatro, aí!” Eu, quando era criança, tinha um bêbado lá perto de casa que a gente sempre fazia assim com ele. É infalível! Mas lá, eu não sei... E, depois, o cara é voto da Dilma Rousseff. Mas o deputado Deley também teve sua vantagem com a carraspana – ficou conhecidíssimo. Um amigo meu do Acre quis saber : “E aquele deputado lá da sua cidade?” Perguntei-lhe qual, de quem ele falava. E ele disse “to falando é do pudim.” Aí, eu lhe respondi: “claro! Sei quem é. É o Deley!” Mas eu, sinceramente, se fosse o Neto ia cuidando de substituir o Deley pela vereadora América Tereza que sonha ser deputada federal. E, depois, tem a vantagem de a Tereza não precisar beber para ficar tonta.






Tem gente assim, em cada coisa que faz, uma põe pitadinha ideológica, uma mentirazinha para colorir e facilitar-lhe a passagem pela garganta. E, quase sempre, desce redondo. Joseph Goebels entendia bem disto e até recomendava: uma mentirinha repetida várias vezes vira uma verdade do tamanho de um bonde. Criaram um mito com a medicina cubana. Fala-se muito nos seus sucessos miraculosos. É a alma do negócio. Em sã consciência, ninguém iria admitir tais avanços num país em que não havia internet e nem celular até há três meses. No entanto, é preciso ter cuidado. Há muita propaganda. O Lula tecia louvores ao SUS, se propunha até a ensinar o Obama como fazer o mesmo do lado deles lá americanos. Mas na hora H em que ele era o doente da vez preferiu o Instituto Albert Einstein. E se salvou. Hugo Chaves, coitado, acreditou nas suas próprias mentiras e dançou. Lula não ensinou o pulo do gato pra ele. Pobre Chaves. Podia ter ido para o Albert Einstein, também. Mas tinha a mesma superstição do Adelson Vidal. Agora, é tarde. Daí, esse medo do Conselho Federal de Medicina com a ameaça da Dilma de trazer 6 000 médicos cubanos para atuarem nas regiões mais pobres do Brasil. O conselho teme que esse pessoal venha treinar medicina com a gente, com os mais pobres. Frei Beto – lembram dele? – tem sempre uma vaselina à disposição. Chega e diz “senta que o leão é manso”. O que, na linguagem  chula quer dizer: “eles vão botar só a cabecinha.” Pra ele tudo isto é bobagem. Ele diz que esse pessoal só vem para cá para tratar de cabeça-de-prego, espinhela caída, e vento virado. Nada de tratamento sofisticado. É só pra atender o povão que supostamente só tem dessas doenças mixas.  Ainda aí, a coisa não é bem assim. Há, no Brasil, 125 médicos cubanos e 40% deles vivem nas grandes capitais.  O que quer dizer concentração de médicos? Portanto, não foram para o interior. Em Vitória, há 11 médicos por cada 1 000 habitantes, superando o índice exigido pela OMS que é de 4 médicos por 1 000 habitantes. Há uma realidade que esses números cobrem mas não atacam. Na Olimpíada de Londres, junto com os neymar e freds deles, os britânicos destacavam a saúde também como um dos seus símbolos. Em nossa competição, usamos nossos atletas como cortina de fumaça para nossas mazelas que o Frei Beto vem abençoar. 



CORRESPONDENCIA

Elson, o Adelson agora deu pra dizer que é da esquerda democrática, uma espécie de esquerda reciclada, que se diferencia das esquerdas comunistas. Mas na verdade democracia é só quando convém, vc viu o que ele fez lá na Câmara. Eu queria que vc me explicasse quem de fato é o Adelson. É comunista, é nelsista, socialista, tucano ou o quê? Tá difícil de entender, alguém que idolatra Gramsci e elogia Aécio Neves.


Meu caro, Anônimo, é que existe o Adelson Vidal e o anti-Adelson Vidal, na mesma pessoa. Um cara que é comissionado da prefeitura e na hora do expediente está berrando por aí nos movimentos não leva nem o seu patrão - o Prefeito. Tem hora que eu penso que ele pretende ser o futuro Zezinho da Ética. Só que o Zezinho é mais sossegado. Fica sempre do mesmo lado. Do lado de lá.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

É ASSIM QUE A BANDA TOCA




Uma Vereadora América Tereza vale mais do que cinco Zezinhos da Ética. Brincadeira. Falo assim só pra irritar o Zezinho porque, no duro mesmo, a América Tereza vale exatamente cinco deles. Nem mais, nem menos. E não é pouca coisa, não! Um Adelson Vidal Alves, por exemplo, vale meio Zezinho. Mas um dia ele chega lá. Acho que seria muito bom uma cotação dessas, na cidade. Seria muito útil. A pessoa levava lá um Zezinho da Ética e saía com dois Adelson Vidal. Mas eu quero mesmo é falar da América Tereza. Ela empenhou todas as fichas na defesa do Prefeito. Não sei como o deputado Albertassi não fica com ciúmes. Eu só sei que o prefeito também gosta muito dela, confia muito nela e tal. Tá certo que ele manda o Luís Carlos Sarkis vigiar e ver se não lhe estão vendendo gato por lebre. Bobagem. A América Tereza já salvou o pescoço dele uma vez e meia. A primeira já passou foi na greve. Agora, o prefeito inventou de arrumar a VR Previdencia do jeitinho que ele gosta. E do jeito que ele gosta, muita gente não gosta. Muita gente mesmo. Os vereadores amestrados andam com medo. Na vez passada, a GM guardou só a casa da Tereza. Ninguém se lembrou deles também. Mesmo o  Vereador Tigrão que quando não está calado, está caladíssimo, achou que era melhor aguardar um pouco mais para a votação. Tem muita gente ressabiada dos dois lados. Os vereadores da base já foram até conversar com o pessoal da Klermann Caldas, empresa contratada para essa reestruturação da previdência municipal. Pelo que me falaram a empresa ta com a maior dificuldade de mostrar que é bonito um trem que todo mundo ta achando muito feio. 







D. Dilma, pelo esforço da véspera, perdeu a final do Salve Jorge, no dia seguinte. A votação da MP dos Portos deu trabalho. Mas, no final,  ficou mesmo no jeitinho que ela queria. Valeu a pena desesperar. Dizem que ela comeu pizza a noite inteira, enquanto, lá do Planalto era informada quantos mais tinham capitulado. Em plenário, todos falavam e ninguém ouvia ninguém. Os discursos que valiam eram os feitos ao pé do ouvido, no cafezinho. E como se tomou café naquela noite! As ministras Gleise Hosffman e Ideli Salvatti se deslocavam pelos corredores e vãos de cadeiras caçando votos. De quando em quando, ligavam para um dos quatro celulaes da presidente perguntando se podiam atender esse e aquele outro deputado. Era difícil escapar. Garotinho que começou chamando a mensagem de MP dos Porcos terminou votando pela sua aprovação. É assim. No fundo, no fundo, no fundo... é assim que a banda toca. Zoinho, nosso deputado, também toca na mesma banda. Aprovou a MP. E a gente nem pode pedir a Deus por essa gente porque eles sabem o que fazem. Eles sabem a quem favorecem e a quem prejudicam.







Tintswalo Ngobeni é uma jovem de 22 anos que foge de duas cadeias ao mesmo tempo. Todas duas em sua casa na Suazilândia, África. Foi parar na Europa. Hoje reside na Birmânia, Inglaterra. Mswatti III é o rei de Suazilandia. Um dia, passeando numa das ruas da cidade viu Ngobeni. Admirou-lhe o jeito, a beleza, os encantos. Ele já tinha algumas esposas, mas, pelo calendário de lá, já estava chegando a hora de arranjar mais uma. É que, em cada fim de ano ele tem direito a uma nova esposa para integrar o seu harém. Isto é constitucional. Era só ter paciência de esperar o fim do ano e a conquista se daria sem nenhum trauma. Talvez até com chuva de arroz. Acontece, porém, que isso não estava nos planos de Ngobeni e ela foi passar a festa de ano longe dali. Pediu asilo em vários países e todos lhe tem negado esse benefício. Ela reforça o seu pedido contando as mazelas na sua casa. O rei tem 14 mulheres que vivem aprisionadas no palácio. Só saem uma vez por ano, para comprar peças de roupa nos esteites. Diz também que lá o governo é unipartidário. A oposição foi extinta e os oposicionistas renitentes estão devidamente na cadeia.  Seguranças do rei Maswaitti caçam a moça por todos os cantos. Triste. Ou fica na cadeia com a oposição; ou vai para a cadeia no palácio. Enquanto isto, no Brasil, todo o governo se envolveu para ficar com o Battisti. 




Boy with frog é uma estátua de 8m de altura colocada em Punta della Dogana, em Veneza. Está lá: Um menino segurando um sapo que se contorce. Chama bastante atenção. Inúmeros turistas vão lá todos os dias para o fotografarem ou fotografarem-se junto dele. Agora, entretanto, que se prepara para completar o seu quarto ano de instalação cresce e cresce cada vez mais um movimento para bani-lo daquele lugar, trocando-o por um poste do século XIX, que estava ali antes. O autor da escultura, Charles Ray, não aceita a mudança por nada desde mundo. Ray fez este trabalho atendendo encomenda do magnata François Pianult, colecionador de peças e forte investidor nessa área. François se propunha a transformar Dragona, a antiga alfândega, em um museu de arte para cujo acervo seria constituído a partir da sua vasta coleção. O Boy with frog foi então instalado na véspera da Bienal de Veneza, em 2009. Desde aqueles dias a estátua sofreu vários protestos. As autoridades temeram mesmo que ele fosse vandalizado e o fizeram cobrir por uma caixa protetora transparente. Agora o movimento cresceu e deverá mesmo ser substituído pelo poste requisitado. François se propõe a conduzi-lo para o Palazzo Grassi, outro museu de onde é também coordenador. 

sábado, 18 de maio de 2013

O SECA-PIMENTEIRA




Não gosto de desfazer de ninguém, mas igual ao Neto não tem para gostar de uma entrevista -  no jornal, no rádio ou na TV. Um bando de gente ajuda. Um lhe põe nos bolsos uns papéis, outro lhe arruma o nó da gravata, outro lhe escova os sapos, até que, enfim, ele esteja pronto para falar do governo. Creio que não lhe falta o conselho da mãe quando ele ainda vai para o banho: "Lava atrás das orelhas!" O prefeito tem mesmo que fazer bonito porque este é o seu trabalho.  Na volta sim,  poderá se espichar no gabinete e dizer orgulhoso: 'Já fiz, por hoje!"  Êta vida, meu Deus! Mas, agora, é pura concentração. Desce pelo elevador. Não responde acenos nem bons dias. Nada de aparecer ofegante por lá. Vai sempre disposto e com uma boa nova para contar. Na última, disse que  Volta Redonda é a cidade do futuro. Disse que a nossa cidade se tornará  modelo para o Brasil. Entretanto, que nos contentemos com o que somos, por enquanto. Quem seria o culpado de ainda não termos nos encontrado com esse  nosso grandioso destino? Para o Jornal Aqui os culpados são dois – Jonas Marins, Prefeito de Barra Mansa e Rogério Loureiro, Presidente do Voltaço. Pra mim o problema é que temos um “prefeito” atravancando nosso caminho. Um prefeito com aspas é terrível! É um seca-pimenteira. Tanto que ele tirou os olhos de cima do Voltaço e o Voltaço ficou entre os quatro finalistas; tirou os olhos do volley e o volley repetiu igualzinho no campeonato brasileiro. Por isso é que quando o Neto diz que ta de olho na saúde, na educação e no recolhimento do lixo eu não duvido.




A MP dos Portos foi chamada de tudo que é nome. Dilma a chamou de “Modernização dos Portos”; o deputado Garotinho deu-lhe o nome de MP dos Porcos. E, daqui não posso, porque já se tem uma boa idéia de como se deu o debate. O que se discutia poucos sabiam. Pouquíssimos! O que ninguém ignorava era que ia rolar muito muito, muito, muito dinheiro. Ora, se é  assim que a banda toca esse pessoal que quer mais e mais dinheiro para as obras da Copa está dançando conforme a música. Lá mesmo, em Brasilia, o Estádio Mané Garrincha engole, engole, engole muito dinheiro e a sacolinha não para de correr. Sua reforma foi orçada em R$ 680 milhões, já atingiu 1 bilhão e quinhentos mil reais e o pessoal falando que não dá, que isso e aquilo – isto é, mais grana. Na Câmara Federal, ouço também os deputados falarem que isto, que aquilo... mais grana. Os discursos não avançam. Não adianta os oradores se esguelarem na tribuna. Não é isso que se quer ouvir. O papo rende mesmo é na coxia. Aí, dá até de se ver deputados voltando remoçados. Ah, quantos Manés Garrinchas rolarão ainda. Esta MP é a doação de dos portos estatais a mãos particulares. É um negócio por onde passam bilhões de reais através da importação e da exportação de mercadorias. É preciso mandar o FHC para casa. O mandato dele já acabou e faz é tempo.  



Na última terça feira, o Acre e o Brasil ficaram conhecendo um gigantissimo jabuti. Pesquisadores da UFAC (Universidade Federal do Acre) anunciaram, por fim, a descoberta do fóssil de um jabuti de oito milhões de anos naquele Estado. Desde 1995, quando o fóssil foi encontrado esses profissionais vem estudando o bicho. Deu muito trabalho porque as partes encontradas estavam muito fragmentadas. Não se avançou muito, mas também não deram os estudos por encerrados. Já se sabe que é bem provável que esse animal estivava distribuído por toda a America e que possivelmente tenha parentesco com os jabotis das Ilhas de Galapagos que tanto encantaram o naturalista Charles Darwin. É impressionante sua gigantesca figura. A sala onde ele está exposto recebe inúmeros curiosos diariamente. E, ali, ainda se pode ver outras curiosidades encontradas naquela área - antepassados de jacarés e até preguiças gigantes.





sexta-feira, 10 de maio de 2013

SE NÃO FOSSE A IMPRENSA ESTE GOVERNO ESTARIA PIOR





Jeito bom de governar é este que arrumaram de o governante falar demais, quando faz de menos. Às vezes dá até reeleição. Vai para o rádio, vai para o jornal e diz “eu fiz isto e aquilo”. E o rádio e o jornal respondem “fez mesmo!” O nosso prefeito está adorando esta moda. Neto fica à vontade, em campo. Parece um Seedorf. Nunca vi. E, pra falar a verdade, se o meu não estivesse na reta, eu até aplaudiria, igualzinho o Adelson Vidal faz. O Adelson é fogo! Ele não liga. Também... Deixa ele pra lá. O que me dá um pouco de gosto é saber que não estou sozinho, do lado de cá. E cada vez menos sozinho. Todo dia chega gente. Por conta de uma pequena reforma na Escola Municipal Graciema Coura veio um monte. Desde 6 de maio de 2011, os  alunos de lá estão acomodados na Igreja Sagrado Coração de Jesus. Mal acomodados, é verdade. Os alunos eram muitos e o espaço era pouco. Aí, tiveram que dividi-los em dois grupos. E cada um dos grupos passou a estudar duas horas por dia em vez de quatro. Educação em pequenas doses.  Minha vizinha, que votou no Neto, me diz que isto ainda não é nada. Diz que o pior, o muito pior é o que acontece com a saúde. Pra ela, o Neto perdeu a graça. E se acaso um dia ela passar por ele fazendo malabares num sinal vermelho, ela levanta o vidro da janela. Não quer nem saber mais dele. E eu a cumprimentei – “Até que enfim!” Ela tem mesmo razão. Dizem que ta faltando médico pra tudo que é lado. Dizem que há dois portadores de tuberculose multirresistente internados no mesmo isolamento pediátrico do Hospital do Retiro. Dizem... Pra encurtar a conversa,  até o Olavo Marassim do CREMERJ já falou mais do que uma vez: “A saúde vai mal em Volta Redonda”. É. Também o Prefeito paga aos médicos em RPA. Um contrato que além de pagar muito mal não estabelece vínculos empregatícios. Minha vizinha fala coitado deles. E eu digo coitados de nós.




Pra exemplificarmos que a confusão nasceu, cresceu e se reproduziu em todo o Brasil, basta-nos um único e indiscutível exemplo. E o nosso exemplo tem nome e sobrenome – Guilherme Afif Domingues. O homem é representante das elites, grandes empresas, faz parte do governo tucano e é chamado para Ministro das Pequenas Empresas, no governo PT. Presidente do Conselho Gestor de Parcerias Público e Privada, vice-Governador de São Paulo e, pegou mais esse biscate – Ministro das Pequenas Empresas. Mas pra não passar a imagem de olho grande deixou a presidência do conselho gestor para outro. Entregou a carta-renúncia ao governador. Quis ficar bem na fita. E, depois, sempre se tem um coleguinha numa pior, necessitando de um quebra-galho, de um farelo caído da mesa. Mas as outras duas vagas ele quer conservar. Continuou vice de Alkmin e é ministro de Dilma. Se não der para ficar com os dois salários, fica só com o de ministro que é de R$ 26 723,13. Tá feliz da vida em trabalhar com a Dilma. Há pouco mais de um ano ele dizia que entregar o Planalto a Dilma era como entregar o comando de um Boeing a quem nunca pilotou sequer um tecoteco. Mas o Guilherme não se  enrola com isto. Hoje, ele diz que ela aprendeu rápido. E, naturalmente, ele também.



Papo dez para discussão de juristas eméritos e assíduos freqüentadores de botequins é esta questão de abaixar ou não abaixar a maioridade penal. De permeio metam-se aí os políticos e outros desocupados.  Minha mãe diria que isto é conversa pra boi dormir. Ela jamais se sentaria numa mesa dessas. Esse negócio de saber o que é certo e o que é errado começa cedo. Qualquer coisa de errado que fazíamos ela perguntava “quê que você ta com essa cara de cachorro que quebrou o pote?” Ela dizia que até cachorro sabe quando erra. Só de olhar para a cara do bichinho ela sabia o que o fingido tinha feito. E o cachorro também sabia que ela sabia. Daí, aquela cara assim com que ele ficava.  Com gente, entretanto, querem diferente: Só depois dos 18 é que se tem consciência. Os anjos da guarda de meninos assassinos ficam furiosos com esta discussão porque ela sempre reaparece no rastro de cada crime bárbaro cometido por “menores”. Eles chamam essas “criancinhas” de infratores. Ora, infratores, em certa medida, somos todos nós. Matar é crime; não é infração. Infração é avançar sinal vermelho, dirigir na contra mão... Tem gente que quer acabar com esses crimes metendo esses menores na escola. Quase assim como: “Cometeu um crime? Agora tem que estudar!” Os cachorros com que mamãe ralhava nunca tinham passado por uma escola e eu nunca a vi dando-lhes um lápis e um caderno para não errarem mais.


Comentários

Para de chamar o Adelson de comunista, ele ta mais pra tucano, vai votar no Aécio e tudo. O hobby dele agora é chamar a esquerda de caduca e se vangloriar da democracia como valor universal, achando se uma esquerda reciclada. Eca. (Anônimo)

Essa turma é assim mesmo: Um pé em cada canoa. Não faz muito, o cara era discípulo do Soró lá no PCdoB. Agora é recruta no Rede. Agora, chamar isto aí de esquerda reciclada foi um achado. Muito legal. (Elson Sepulveda 




domingo, 5 de maio de 2013

DIZENDO REALMENTE O QUE QUE EU ACHO





Ananás me pôs as mãos nos ombros. Olhou-me dentro dos olhos  e disparou: “Encontrei uma foice e um martelo na caçamba do lixo da Prefeitura.” O Ananás, como se sabe é conhecido como aquela besta. Ele estava em pânico . Como é que pode um comunista abandonar assim o que ele tem de mais simbólico?! Ainda mais jogado numa caçamba de lixo... E eu pensei alto - só pode ser coisa do Adelson Vidal Alves, que é, afinal, o último comunista vivo, na cidade. Talvez, exista algum aí, por um diretório acadêmico ou travestido em vestes sacerdotais. Mas esses a gente não conta porque vivem no nicho. Como também não se conta o Marquinhos Motorista, nem o Soró. Se o eleitor que é o eleitor, grato a qualquer afago, se esqueceu deles na eleição, não serei eu que irei resgatá-los. Requiescat in pace! Voltemos ao Adelson, que é, de fato, o dono daquelas ferramentas encontradas. Tá todo mundo vendo que ele quer um estilo fashion, up-date. Vai ser difícil, mas está se esforçando. No outro dia, ele tentou ajudar um velhinho atravessar a rua. O velho o reconheceu e falou assim: “Você não é o comandante da Intentona 2012?” E se afastou com a cara feia e a bengala em punho. Lá na Terceira Idade espalharam o retrato do Adelson. E, agora, ferrou tudo. O Adelson está escorraçando todos os velhos, especialmente os comunistas. Ataca no seu blog todos os comunistas antigos, desde Marx até o Soró.



Minha mãe sempre dizia que neste mundo tem gente pra tudo. E tem mesmo. O Lobão diz que o Gilberto Gil é assim. Mas isto é outro caso. Tem gente que acredita em fantasmas, tem gente que acredita em duendes e tem até gente que acredita em pesquisas eleitorais. Pode chover, pode fazer sol; pode fazer e acontecer, a pesquisa é sempre um veredicto. Porém, nunca deveria sê-lo. Tome-se, como exemplos, as eleições para prefeitos das capitais em Curitiba e Manaus. Os erros foram grosseiríssimos! Qualquer um no lugar desses institutos morreria de vergonha. Ou, se ele não morresse, morreriam-lhe os pais. Mas não houve sequer um amarelo pedido de desculpas. Não guardaram nem mesmo a quarentena para a poeira abaixar. Antes do final do ano, já estavam de volta incensando Dilma Rousseff, como campeão de popularidade, contrariando os seus próprios dados. Disseram que, dentre o  distintíssimo público consultado, ela ganhava de 73% . Não se sabe que mágica foi esta, já que seu governo fora mal avaliado em Educação, Saúde e Segurança. Mas mágica é mágica! Aí, o tempo veio passando, o povo já estava até se esquecendo a que a Dilma é a favorita e veio nova pesquisa. Os resultados continuam sofríveis naqueles mesmos ítens: Educação (50x47), Saúde (67x32), Segurança Púbica (66x32). Mas a confiança do povo só vai aumentando. O Ibope lhe atribuiu 75%. 




MEU TRIBUTO AO ADELSON VIDAL



quinta-feira, 11 de abril de 2013

EDIÇÃO PESADA - NETO, DENGUE E MADURO

Ilustração - Vitor Fernandes


Meu vizinho se chama Antonio Francisco. Morro de pena dele, coitado. É o mesmo nome do prefeito. É muito perigoso. Pode sobrar para sua cabeça alguma coisa feita para o outro. Meu Vizinho se previne como pode. Tá até usando um patuá feito na Bahia. Mesmo assim tem medo. Há trabalhos pesados, por aí. Ontem mesmo, ele se debruçou no muro e me contou que está perdendo o crédito na praça. O dono da quitanda falou que não lhe fia nem um pézinho de alface. Agora, disse esfregando o polegar no indicador: "Só no din-din". Está desacorçoado. Sua caixa de emails está assim de impropérios. Cheinha mesmo! Por dever de ofício, ele as veio abrindo todas, todas. Até que um dia deu com uma escassa e solitária nota de apoio: “Vá em frente, meu prefeito querido. Tamos juntos! O pouco com Deus é muito”.  Ele respirou fundo e comentou assim: “Deve ser coisa do Zezinho da Ética me tirando.” Mas eu concertei logo, logo uma possível injustiça que assim se fazia; disse-lhe que uma manifestação dessas também podia ser do Adelson Vidal ou do Jornal Aqui. A César o que é de César. O estilo é o mesmo, como se há de ver. O Prefeito  ainda tem amigos, apesar do arrasto da última greve municipal.  O prefeito está a descoberto. . E, antes que apareça  o menino de La Fontaine dizendo que o rei está nu é preciso tampar-lhe as vergonhas. Como são parecidos os seus amigos! O Zezinho da Ética caiu no mato, o Adelson Vidal passou a discutir a candidatura de Lindberg e o Jornal Aqui pegou o Prefeito de Barra Mansa como tábua de bater roupa. Só que está meio destreinado de "bater". Chama-o de "comunista". Ele pensa que "comunista" é palavrão.  Bobagem. Podia chamá-lo de comunista, petista, PSDBista, PSOLista... tudo dá na mesma coisa. Acho que está todo mundo perdido.



Do Aedes aegypti já se falou um monte de coisas . O Prefeito de Volta Redonda, sem ter nada para comemorar, diz que 42% desses mosquitos são criados nas residências; logo, os 58% restantes são deles. Estão nos próprios municipais. Não sei se ele sente orgulho com esta marca; só sei que ele espalhou um monte de placas anunciando o fato. Bichinho danado este pra fazer amizades.  Na guerra hispano-americana ele matou mais gente do que os canhões todos juntos. Matou milhões de pessoas na guerra hispano-americana. Agora, produz dengue. Toda chance humana de escapar está no combate do mosquito. Inseticidas, carros fumacê,  já não lhes fazem mal. Ao contrário, parece que eles ficam mais animados.  A Oxitec – Oxford Insect Technologies – entrou no combate. Escolheu a cidade de Juazeiro, na Bahia, para as experiências.  Ela criou o macho trangênico do aedes. Produz mosquitos geneticamente modificados. As fêmas obtidas no processo são mortas. E os machos ganham a liberdade. Vão fecundar novas fêmeas, cuja descendência morrerá antes de aprender voar. Vem dando certo. As amostras recentemente colhidas constataram a presença de 85% aedes transmodificados dentre os existentes naquele município. 




“Acho que vi um passarinho. Vi sim! Se vi!” Parece coisa de história em quadrinhos, coisa de criança, mas, no duro mesmo, era a fala do futuro presidente da Venezuela, diante da TV. Por ironia das coisas, ele se  chama Maduro. É pra isso que prestam as eleições.  Cabeças razoavelmente equilibradas ajudarão a eleger para presidente do seu país um homem que vai à televisão e diz: “Chavez esteve em Caracas, como um passarinho.” Tivera algum alpiste à mão, ou uma meia banda de laranja, teria lhe feito um agrado. Mas não faltou chance: acompanhou com assovio o seu canoro pipilar. Era o Hugo Chavez que no trigésimo dia ressurgia dos mortos para orientar os vivos. Os muito vivos! Só Dilma Rousseff explica uma coisa dessas. Há pouco, no Nordeste, ela afirmava que nas eleições “a gente faz o diabo.”

sábado, 30 de março de 2013

ENFIM, NETO PAGA UMA DIVIDA COM BALTAZAR






O Neto perdeu a última parada. Podia ter descido lá em 2012, quis continuar viagem. Deu bobeira. Não tinha dinheiro nem para a Jujuba e quis continuar a viagem. Agora, a próxima parada só em 2016. A menos que Deus, na sua infinita bondade, não lhe alivie o sofrimento. Eu tenho rezado muito, muito por isto. E está fácil fazê-lo: Ele já amarelou. Ta madurinho, madurinho. Também, cá pra nós, o Neto é abusado demais da conta. Já tinha bebido o sangue, comido a carne... podia ter deixado o osso para o sucessor e, quem sabe, curtir umas férias lá em Miami. E, nestas alturas dos acontecimentos, já teria até gente sentindo saudades dele. Não quis e, agora, fica meio acuado olhando o protesto lá fora, por trás das cortinas. Todo mundo que passa se benze e olha para sua janela. Neto pensa, com os seus botões: “Se esse protesto fosse igual ao do Adelson Alves eu mudava o nome da Avenida Getúlio Vargas e pronto.” Mas o Adelson estava longe dali. Bem longe. Juntou muita coisa errada. Tudo enfiado embaixo do tapete. A moda até pegou na Prefeitura. Os processos que chegavam ao Gabinete vinham com o despacho pronto. Prontinho: “Para debaixo do tapete.” E o Prefeito só fazia assinar. Foi assim com o SAAE, com a Saúde, com a Educação, com o Lixo... O vento estava a favor. De repente, a calmaria e o vento mudou de direção. Mudou tanto e tanto que o Neto que trabalhava pela sucessão com Paiva ou Albertassi, agora, trabalha pro Baltazar. Cada dia a mais do Neto, mais cinqüenta ou cem votos para o Baltazar. 





Nem sei se o Mercadante ainda usa aqueles fartos bigodes de general.  Dizem, aliás, que foi ele quem ensinou Lula a desenhar as letras do seu nome: L-U-L-A. Era bom saber isto para quem queria ser presidente. E o Lula chegou lá. Todo mundo tinha a  plena convicção de que Mercadante seria o Ministro da Fazenda. Até sei vizinho da frente mudou sua saudação: “Como vai Sr. Ministro?” E o futuro ministro respondia: “Na boca da espera.” Mas, no final da história, Mercadante chegou mesmo foi a líder do governo. Uma espécie assim de América Tereza do senado. Daí é que eu penso que o seu bigode tornou-se desnecessário. Enfim, o moço foi ficando, foi ficando na liderança até que um dia entendeu que o estavam engabelando. Tem gente que custa entender as coisas. O Mercadante, então,  virou uma fera e pediu demissão IRREVOGÁVEL. Mas Lula mandou ele ficar caladinho no canto e ainda lhe deu um pito: “Aqui, quem diz o que é IRREVOGAVEL sou eu!”   Mercadante afinou e, sejamos sinceros, tem ganhado muito com isto. Vive viajando. Pra onde a D. Dilma vai ele vai atrás. E nem precisa carregar as malas dela feito o Lupi fazia com Brisola. Ainda por cima, ganhou um ministério – o Ministério da Educação. É só ficar bonzinho que ainda pode ganhar mais. O Haddad já está lá na Prefeitura de São Paulo. É só ficar quietinho e não dar bola para esse pessoal aí que quer mais educação, na fita. Ele tem que ter presente que é membro do PT. E vem se saindo bem. E olha que O Globo não poupou nas tintas, na semana passada. Qualquer um outro morreria de vergonha com a notícia. É que dois meninos, o Fernando Maioto Junior, acadêmico de medicina, e Carlos Guilherme Ferreira, estudante de engenharia, deram uma calça arriada no ENEM. Eles se inscreveram para o concurso e, na prova de redação, um incluiu a letra do hino do Palmeiras e outro, uma  receita de miojo. Pensa que tiraram ZERO? Não! Aí é que o distinto está muitíssimo enganado. Suas redações ficaram entre as melhores apresentadas. O Ministério não se deu por achado e explicou: “O ENEM visa às múltiplas inteligências. Um aluno que sabe uma receita de miojo está preparado para a vida, muito mais que um aluno que sabe escrever uma redação coerente. Se nós zerarmos uma prova dessas, estamos dizendo  a este aluno que saber cozinhar é ruim e estaremos sustentando a ordem machista da sociedade atual que só quer as mães na cozinha.” Falou.





A Secretaria Estadual da Justiça do Piauí chegou lá. Sentou com os home, conversou um pouco e concordou em tudo com o PCC. Brasileiro, de fato, aprende logo quando sua pele corre risco. Aconteceu bem no final do ano passado e vigora até hoje. Os presos do PCC se amotinaram lá na Penitenciária Regional Irmão Guido, Zona Rural de Terezina. No ar ainda estava aquele halo das coisas todas que aconteciam no Estado de Santa Catarina. A secretaria não quis pagar pra ver. “Qual é a pauta das reivindicações?” Tomou conhecimento e sem um muxoxo, sem um resmungo, enfim, sem perda de tempo, concordou logo com tudo que leu. Eram só coisas boas: Carne de sol, ervilha, milho e azeitona, alargamento do horário de visitas e transferência de José Ivaldo Celestino dos Santos para a sede, na capital de São Paulo. Fechado o acordo; motim encerrado. É muita organização. Merecem mesmo o nome de crime organizado. Ave, Maria! O Secretário Estadual de Justiça Henrique Rabello não quis saber de brincadeira, não. “Esse pessoal é muito perigoso”, disse ao site da UOL. Uma correspondência trocada entre os pavilhões atestava o sucesso nas negociações: “ A rapaziada da Casa de Custódia  entrou em contato com nós (sic) e disse que eles conseguiram tirar o “Nissin” (Nilson Martins de Vasconcelos, ex-chefe de disciplina da casa de custódia e assim só nós se unir (sic) que nós vamos conseguir nosso objetivo”. É.