quarta-feira, 3 de maio de 2017

A CAMINHO DA PRÉ-HISTORIA

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“De pé contra a parede, filho da puta!!!” É Mark Rudd, latindo grosso contra um professor, na Universidade de Berkeley, 1962. Ele lidera o grupo de universitários que tomou o campus e faz dali o seu bunker. Nas rondas sistemáticas, de vez em quando, esbarram com um suspeito que é conduzido aos empurrões para interpelação e revista. E, se julgarem necessário, chegarão ao espancamento. Não tem essa, não! Seja professor, diretor ou qualquer outra pessoa o pau come. Rudd era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones. Seus professores lhe tiraram esse romantismo da cabeça e preparam-lhe as mãos para um instrumento que sempre dá a mesma nota ra-ta-tá. Ele vem progredindo. Agora, já tem a clareza que a violência, às vezes, é necessária. Tudo depende. Na sua galeria de ídolos estava Guevara, Fidel, Stalin, Trotsky, Ho Chi Min, Le Pot... e ele, modestamente, se incluía ali embora tivesse rachado tão poucos crânios ainda. Rudd, isto ele podia afirmar, era um esquerdista com muito orgulho. Um esquerdista como seus ídolos. Que não se vá, portanto, em respeito à sua memória, confundi-lo com um fascista. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa já o dizem os compêndios escolares. Mas, honra seja feita, os fascistas também não eram bolinho, não. No dia 27 de julho de 1922 eles tomaram as ruas de Roma. E aí foi aquela montoeira de ossos quebrados, cabeças partidas, espancamentos, fuzilamentos, pavimentando o caminho. Tomaram o Estado, fecharam os jornais, acabaram com os partidos políticos e legalizaram a pena de morte. É. Os fascistas também racham cabeças, quebram braços e pernas, fuzilam, formam grupos de capangas para todos os fins. Tinham uma excelente tropa de choque – os Camisas Negras – que dava preferência ao porrete. A Alemanha também não ficava pra trás. Logo, logo os nazistas perceberam que a retórica sozinha não os levaria ao poder, não. Também precisavam de instrumentos especiais para abrir as muitas cabeças recalcitrantes pelo caminho. Assim, nasceu uma nova ala do partido a que se chamou Proteção ao Recinto. Tudo uniformizado direitinho com camisas e calças curtas, botas de cano alto, bonés e os indefectíveis porretes na mão. Não falhavam mesmo! Ernst Rohm, co-fundador das SA – tropas de arruaceiros – adorava aquele jeito de fazer política. E, agora, tem essa gente aqui no Brasil pensando que inventam a roda. Fizeram uma arruaça a que chamaram de greve. Ruas, pontes e barcas bloqueados... Black Bocks depedrando e incendiando ônibus e vidraças. Passageiros espancados brutalmente no Aeroporto Santos Dumont... Não sei como chamá-los. Comunistas? Fascistas? Nazistas? Sinceramente, não sei. Sei apenas que são pessoas do outro século. 

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